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Mostra em SP reúne painéis em madeira reaproveitada

MOSTRA EM SP REÚNE PAINÉIS EM MADEIRA REAPROVEITADA



"Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", bem dizia Lavoisier. Foi acreditando nessa premissa que a artista plástica Lara Donatoni Matana, 41 anos, passou a olhar para pedaços de madeira e árvores antigas com uma visão bem diferenciada. A paulista nem imaginava que a brincadeira se tornaria uma prazerosa profissão.

Ela abre a mostra Caleidoscópio, na Galeria Lourdina Jean Rabieh, em São Paulo. Na exposição mostrará 11 painéis compostos de finas lâminas de madeira reflorestada, coloridas uma a uma e que fazem referência às rosáceas góticas, aos arabescos e às mandalas orientais, além de expor uma escultura de um caleidoscópio que imita uma bola de futebol, aproveitando o clima da Copa.

Lara nasceu em Andradina, interior de São Paulo, e aos 13 anos mudou-se com toda a família para Cuiabá, o que ela acredita ter colaborado para que se interessasse por elementos da natureza. Aos 22 anos, fez o primeiro curso de pintura. Oito anos depois, em 1999, visitou uma exposição de obras bidimensionais de madeira que a despertou para pesquisar mais sobre o assunto. "A gente precisa abrir os horizontes e saber que tudo realmente pode ser aproveitado. Olhar e perceber que nem tudo que está sendo descartado é lixo", diz.

Como o trabalho com madeiras envolve serviços de marcenaria, ela precisou de um local apropriado para seu ateliê. Atualmente, Lara trabalha com mais cinco ajudantes num barracão de uma chácara que fica a 10 quilômetros de sua residência, na capital mato-grossense. Mas como todo artista plástico, ela também deixa seus rastros pela casa. "Fiz um show room em casa e abri um espaço para exposições, pois não havia nenhum em Cuiabá", conta.

A artista declara que muitas pessoas conhecem o seu trabalho e acabam ligando para oferecer madeiras e árvores que não vão aproveitar. "Elas me ligam e dizem: ''cortei uma árvore na minha casa. Você quer ficar com a madeira?'' Já recebi várias doações assim", diz. "Em alguns casos, tentei convencê-los a não cortar as árvores, mas as pessoas não têm muita consciência e paciência para cuidar, limpar as folhas".

Certo dia, Lara estava a caminho do seu ateliê e viu, jogada no pasto de uma fazenda, uma árvore linda. Ela resolveu descobrir a quem pertencia e acabou descobrindo que conhecia o proprietário da fazenda. "Ele achou ótimo que eu quisesse reaproveitar a árvore. A madeira dela virou uma mesa linda, com uma base parecida com uma saia godê", lembra. Por histórias assim, Lara acredita que não precisa agredir o meio ambiente para ter luxo. "A gente vive como cupim, degradando a nossa própria casa. Meu trabalho luta contra isso".

FONTE: Estadão


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